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Com venda de campos terrestres, Petrobras pode sair de vez da Bahia

Sindipetro-BA aponta perda de arrecadação e postos de trabalho como consequências da privatização

13/05/2022 08h08
Por: Redação Fonte: Tribuna da Bahia
Foto - Tânia Rego / Agência Brasil
Foto - Tânia Rego / Agência Brasil

A Petrobras pode encerrar de vez sua participação nos campos de exploração e produção na Bahia. Após uma transaçãocom a 3R Candeias S/A concluída na última terça-feira (10) que alcançou a cifra de US$ 256 milhões (R$ 1,31 bilhões na cotação de hoje) envolvendo o Polo Recôncavo, que congregava catorze plantas em cidades como Candeias, Simões Filho e Guanambi, a estatal selecionou uma oferta de R$ 1,4 bilhão pelo Polo Bahia Terra, realizada por um consórcio formado pelas companhias PetroRecôncavo e Eneva, que terão respectivamente 60% e 40% de participação. Esse movimento da Petrobras para retirar participações nos campos da Bahia começou desde 2020, quando a empresa começou a receber ofertas dos interessados em explorar as 28 áreas.

Apenas no Polo Recôncavo, foram produzidos 1.321 barris de óleo por dia de janeiro a abril deste ano, além de 444 mil metros cúbicos de gás natural durante o mesmo período. A Petrobras tinha 100% de participação na maioria dos campos produtivos, exceto nas áreas de Cambaci e Guanabi, onde as participações até então eram de 75% e 80%. Em comunicado, a empresa petroleira disse que “a operação está alinhada à estratégia de gestão de portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando à maximização de valor e maior retorno à sociedade”, garantindo que os processos de desinvestimento acontecem de acordo com os procedimentos específicos de cessão de direitos de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo.

Ainda em seu pronunciamento, a Petrobras afirmou que “segue concentrando os seus recursos em ativos em águas profundas e ultraprofundas, onde tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos, com menores emissões de gases de efeito estufa”. Entretanto, o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA) não aprova a transação envolvendo o Polo Bahia Terra e prevê uma série de prejuízos aos trabalhadores e ao Estado caso o consórcio PetroRecôncavo/Eneva e a Petrobras fechem negócio. O diretor de comunicação do Sindipetro-BA Radiovaldo Costa avalia os desinvestimentos da Petrobras como determinantes para minar a capacidade produtiva dos campos e ‘forçar’ um valor mais baixo de venda: alguns sites especializados no setor petroleiro cotaram pelo menos R$ 1,9 bilhão para essa operação.

O consórcio da Aguila Energia e Infra Construtora havia oferecido uma proposta que excedeu R$ 1,5 bilhão em 2021, mais alta do que a atual.Radiovaldo frisou ainda o aumento no valor do barril de petróleo Brent, a matéria prima para derivados como gasolina e óleo diesel. Hoje, essa commodity custa US$ 110 (aproximadamente R$ 560).“Fazendo o comparativo, isso significa que houve uma valorização de cerca de 30% neste período de sete meses, então, por que vender por um valor mais baixo?”, argumenta. Entretanto, para o Sindipetro-BA, o buraco é bem mais embaixo, já que a venda envolve diversos interesses. Com a saída em definitivo da Petrobras da Bahia, o sindicalista elenca a perda de postos de trabalho, de arrecadação para o Estado e seus municípios e o fim de projetos sociais entre os prejuízos que mais uma privatização poderá trazer.

Nem tudo está perdido, contudo: Radiovaldo acredita que é possível impedir a venda por conta do histórico de demora na finalização desse tipo de venda no Brasil. No caso do Polo Recôncavo, a transação foi iniciada em 17 de dezembro de 2020 e só foi concluída agora em maio. Com isso, o diretor de comunicação da entidade dos petroleiros espera ganhar tempo para reverter o processo. “Os jurídicos da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindipetro Bahia têm alcançado êxitos no retardamento das vendas das unidades da Petrobras na Bahia justamente para evitar os prejuízos para o estado e os trabalhadores, e o mesmo será feito com o Polo Bahia Terra”, garantiu.

Desinvestimentos

Além do Polo Recôncavo, a Petrobras vem numa onda de retirada de participações pela Bahia. Embora o caso mais emblemático envolvendo a estatal tenha sido a Refinaria Landulfo Alves (hoje Mataripe), cuja venda para o fundo árabe Mubadala aconteceu em dezembro do ano passado, mais quatro polos de produção e exploração foram vendidos: Ventura (campos Água Grande e Rio Pojuca), Miranga e Remanso, todos no ano passado. Já o Polo Bacia de Tucano (campos Conceição e Quererá) foi vendido em 2020. O ano de 2021 também foi marcado pelo fechamento da sede administrativa da companhia no Alto do Itaigara, com transferência de trabalhadores para outros Estados, e das termelétricas controladas pela empresa.

 

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